CPI discute feminicídio em Maricá

Cresce a cada dia os casos de violência contra as mulheres. Os dados são alarmantes. Em 2017 foram 1047 casos e no ano seguintes o número aumentou para 1173. A cada hora quatro meninas de até 13 anos são estupradas no Brasil e 75% da vítimas têm vínculo com o estuprador. Em 2018 foram 71 casos de feminicídio e 288 tentativas. Sendo 62 % delas mortas dentro de suas casas por seus companheiros ou ex-companheiros, de acordo com os dados do Dossiê da Mulher 2019 e do Anuário 2019 do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Para que esse problema fosse discutido em Maricá foi realizada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) na Lona Cultural Marielle Franco, Barra de Maricá. A Deputada Zeidan Lula é relatora da Comissão Parlamentar de Inquérito, presidida pela Deputada Martha Rocha.

Para Zeidan, apesar de não ser uma cidade com muitos casos, é importante trazer a discussão como parte do investimento que se faz no enfrentamento da violência contra a mulher. “A maior necessidade no município hoje é poder contar com um Juizado Especializado de Violência Doméstica e Familiar e com uma Delegacia de Mulheres, tendo em vista que esses órgãos poderiam agilizar processos, trazer mais confiança às mulheres que denunciam e aumentar o deferimento de medidas protetivas de urgência”, explica a deputada Zeidan.

A deputada Martha Rocha destacou a importância dessa audiência. “Maricá tem um déficit grande de rede de atendimento às mulheres vítimas. Não possui Delegacia de Atendimento à Mulher ou Juizado Especializado de Violência Doméstica. Queremos debater o que pode ser feito para melhorar a situação do município”, comentou.

A CPI investiga as causas do Feminicidio e teve início em março de 2019. Foram realizadas 15 reuniões ordinárias, ouvidas dezenas de especialistas, sobreviventes de feminicídio, gestores/as de políticas públicas, pesquisadores/as, profissionais de várias áreas.

“Como relatora da CPI do Feminicídio na Alerj, estou na luta, ao lado das parlamentares e de todos os coletivos e movimentos de mulheres, para mudar essa realidade aqui no nosso Estado. Em Maricá, conseguimos criar políticas públicas de enfrentamento à violência contra as mulheres. Somos uma cidade que cuida com carinho dessa questão, mas o feminicídio é um mal que vem crescendo no país e precisamos falar muito e agir para que ele deixe de existir”, finalizou.

Rede de apoio na cidade


Maricá tem uma rede local de acolhimento, proteção e orientação a mulheres que sofrem violência. Essas políticas públicas, sem dúvida, impedem que as violências se agravem e cheguem até o Feminicídio. De acordo com Luciana Piredda, coordenadora de Políticas para Mulheres, em 2018 foram duas mulheres mortas em Maricá e outras três que conseguiram sobreviver a uma tentativa de feminicidio.” Quanto mais políticas públicas tivermos, menos mulheres perderão a vida por causa da violência. Temos o Centro Especializado em Atendimento às Mulheres Natália Coutinho Fernandes que realiza um atendimento qualificado, humanizado, acolhedor e é feito o levantamento de demandas sendo cada caso tratado de acordo com a necessidade. Precisamos formular um padrão de medidas protetivas e acabar com a escalada da violência contra a mulher”, disse.

O espetáculo “A Dor da Gente Não Sai no Jornal” foi apresentado na abertura da CPI deixou o público emocionado.Composta por sete bailarinos da CIAttitude Contemporânea, de São Gonçalo, a peça propõe um questionamento sobre machismo, feminicídio, violência de gênero e sobre temas do cotidiano enfrentados pela mulher.
A diretora e coreógrafa, Karen Ramos salientou a importância do espetáculo, que utiliza músicas de Chico Buarque, Gal Costa e Rita Lee, para estimular uma reflexão no público. “Falamos de temas que, infelizmente, são bem atuais. Queremos que essas questões não caiam no esquecimento e a arte incomode para que possamos nos indignar e entender que o feminicídio e a violência contra mulher não são coisas normais”, explicou.

Foto: Paulo Polônio

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