Tradição dos Carnavais

Ao longo desses 20 anos, o Carnaval marca a história de Maricá

Contar histórias da cidade, de suas tradições e de seu povo sempre foi nosso principal objetivo. E para comemorar esses 20 anos da nossa história, resolvemos relembrar um pouco dos antigos carnavais.
Maricá possuía uma tradição de bailes nos clubes do município, sendo mais famoso o baile do Esporte Clube. Com o tempo, os bailes nos clubes foram perdendo lugar e o carnaval de rua com os desfiles das escolas de samba e com os blocos de rua.
Os clubes sempre foram ponto de encontro da elite maricaense e seus bailes sempre foram fechados. Haviam shows das bandas locais e, as vezes, até de bandas de fora. A prefeitura costumava apoiar os bailes dos clubes, muitas vezes deixando a maior parte da população do lado de fora. Aos poucos, a partir dessa demanda popular, foram surgindo no município as escolas de samba de bairro. O povo, que ficava de fora dos bailes do clube, passou a se organizar para fazer os desfiles nas ruas da cidade. Depois de um tempo, os desfiles também começaram a contar com o apoio de vereadores e do poder público.
Com o surgimento dos blocos de rua, o carnaval maricaense se renovou. Seus blocos passaram a ser o maior atrativo e a Prefeitura, a partir do ex-Prefeito Washington Quaquá, passou a fazer shows gratuitos com grandes artistas para toda a população atraindo também turistas. Isso transformou Maricá no pólo que é hoje, competindo no turismo com cidades como Saquarema e Cabo Frio.
Alguns blocos marcaram a história da cidade como o bloco do carvão e da abelha.

Bloco do carvão


Um dos mais tradicionais blocos que desfilavam por Maricá, foi o Bloco do Carvão. Criado em 1985 por Elson Ribeiro, Nei, Val, Chibil entre outos que eram amigos, o bloco arrastou durante alguns anos uma multidão pelas ruas do Centro.
Segundo os seus fundadores no dia 29 de dezembro de 1985, o saudoso Dr. Geraldo Alonso, num papo muito animado com amigos, sugeriu a criação de um bloco cujos componentes se sujassem de carvão. Naquele dia, as pessoas que estavam em um churrasco na casa do Ney foram para a praça central de Maricá onde fizeram a promessa de em todo carnaval colocar o referido bloco na rua.
“Dr. Geraldo chegou no muro de sua casa e escreveu “Aqui e agora está fundado o Bloco do Carvão”, usando naturalmente carvão, gerando no dia seguinte, uma briga de sua esposa que pensou se tratar de uma pichação dos rapazes da rua. Ele assumiu a culpa dizendo que pintou de branco, sujou de carvão e pintaria de novo”, conta Elson.
No ano seguinte, o Bloco do Carvão invade a cidade já com 20 componentes, pulando com muita alegria e descontração. A partir desse ano, o bloco começa a crescer de forma impressionante, chegando a superar a participação de mais de 4.500 foliões.
Ainda de acordo com os fundadores, a história do bloco registra fatos inusitados, como o de que nos cinco primeiros anos, só se aceitava a presença de homens na concentração, enquanto as mulheres aguardavam a hora da saída do bloco. “Naquela ocasião, boa parte da sociedade maricaense não via o bloco com bons olhos, chegando a quase proibição por parte das autoridades da cidade”, relembram.
A fama do bloco atravessou fronteiras, sendo conhecido em vários lugares e até fora do país. Durante os anos de existência, o Bloco do Carvão fez um grande carnaval e fez parte do calendário oficial do carnaval maricaense. Ele saía todos os domingos de carnaval às 17h, sendo que a concentração começava às 10h.
Depois de 20 anos divertindo moradores e visitantes na cidade, em 2005 os fundadores decidiram encerrar as atividades, deixando ótimas recordações aos participantes que se sujavam com carvão e saíam pelas ruas cantando o hino “Carvão, carvão. Eu tô preto, eu tô sujo, eu tô doidão”.

Bloco da abelha


O Bloco da Abelha que surgiu como Bloco do Trabalhador e começou em 2001, organizado na época pelos militantes do Partido dos Trabalhadores. Começou pequeno, participando poucas pessoas e crescendo ao longo do tempo. Sempre foi um bloco beneficente, com seus abadás sendo trocados por alimentos não perecíveis para a montagem de cestas básicas que sempre foram distribuídas para instituições de caridade.
Em 2004, como forma de perseguição política ao bloco, na hora em que os foliões passavam ao lado do Esporte Clube Maricá, foi enviado um carro de fumacê para a rua onde ele estava. O Prefeito da época, que mandou o carro, sabia que havia uma colmeia no Clube e quando o fumacê passou, um enxame atacou as pessoas que participavam. Nesse dia, dezenas de pessoas tiveram que ser internadas por picadas de abelhas no Hospital Conde Modesto Leal.
No ano seguinte do Bloco do Trabalhador, os organizadores trocaram o nome do bloco para Bloco da Abelha em homenagem as vítimas do ataque e como forma de resistir e chacotar da agressão sofrida.
Após 2008, o bloco voltou a se chamar Bloco do Trabalhador, nome que irá pras ruas esse ano. Acontecendo na quinta-feira, dia 20, a organização do bloco está trocando os abadás por 3 kilos de alimento não perecível.

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