Paraíso dos Pescadores

A construção da Ponte do Boqueirão no caminho dos tupinambás

Equipe de Pesquisa:

Maria Penha de Andrade e Silva – Historiadora

Renata Gama – Arquiteta Urbanista

Renata Toledo Pereira – Mestre em Educação

A Ponte Prefeito Arthurzindo de Abreu Rangel, mais conhecida como Ponte do Boqueirão, liga a localidade do Saco das Flores à Barra de Maricá e foi construída com o objetivo de facilitar o trajeto das pessoas que antes era feito de canoa, em especial, pelo condutor Chaguinha.

 O poder executivo do município de Maricá se mobilizou inúmeras vezes junto à Câmara Municipal para que houvesse a aprovação do projeto de construção da Ponte do Boqueirão, apresentando como justificativa principal o aumento populacional da região. A obra era considerada grandiosa para a época, mas obteve aprovação através da deliberação n. 494, de 13 de junho de 1975, que resultou na lei n. 505, de setembro de 1975. Foi o marco da gestão do Prefeito Odenir Francisco da Costa. A inauguração ocorreu em 26 de maio de 1977, durante o mandato do então prefeito, Luciano Rangel.

A ponte também é conhecida como Ponte da Maysa, já que a cantora pescava naquela área em noites de lua cheia. Infelizmente, Maysa não viu a obra concluída, devido ao acidente fatal no qual se envolveu na Ponte Rio-Niterói, em 22 de janeiro de 1977.

Dizem que a construção da Ponte Prefeito Arthurzindo de Abreu Rangel, pai do Ex-Prefeito Luciano Rangel, se deu no lugar onde ocorria a travessia dos índios tupinambás até o Saco das Flores, de acordo com a narrativa abaixo, do final do século XIX, contada por Luis Antonio Cabral de Mello e transmitida às demais gerações pelo Professor José Carlos de Almeida e Silva.

Os indígenas que viviam na aldeia da Barra de Zacarias, parte da orla maricaense, iam coletar frutos no Boqueirão. Os bravos guerreiros Inhamuí e Uiramembi pediram ao Igara, senhor das águas, que os ajudassem na travessia até o Boqueirão com o propósito de recolher saborosos frutos, como: uvipiritica (morangueiro do mato), uxicuruá (tangerina nativa), ingá-doce, jabuticaba, araçá, abricó, jacuanga (cana de açúcar), sirigoela, cajá-mirim, grumixama, cambucá.

Em uma festa, os índios beberam abatini (bebida feita de milho cozido) e, em consequência desse ato, eles tiveram uma visão onde receberam uma ordem da estrela-do-mar, também conhecida como Nossa Senhora, para que montassem no tronco da inhaíba, árvore que anda nas águas, e enfrentassem as fortes águas do Boqueirão.

Após a realização bem sucedida da travessia e da colheita, Inhamuí e Uiramembi construíram uma canoa veloz e resistente, a igaraçu, com remos em formato de pá, denominados jacunã.

Os bravos guerreiros tornaram-se jacunaíbas, ou seja, condutores de canoas, sendo os primeiros a transportarem pessoas e alimentos entre a restinga da Barra de Zacarias e o Saco das Flores.

Os tupinambás batizaram esta travessia com o nome de Macaá, que representa o canto do pássaro acauã e, caso ouvissem-no, era sinal da ocorrência de chuvas, logo, não se poderia realizar o percurso.

            Atualmente, os maricaenses e demais apreciadores do local podem contemplar o lugar na Orla “Zé Garoto”, revitalizada recentemente, detendo este nome em sinal de agradecimento e reconhecimento ao município de São Gonçalo, que possui tantos laços com a história de Maricá.

            O cenário do Boqueirão proporciona aos visitantes um sentimento de paz diante de tantas belezas que parecem formar uma pintura, além de ser fonte de sustento para os pescadores da região há muitas décadas.

Fotos: Divulgação

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