No caminho do trem de Maricá

A história de vida da família de Maria José Quintanilha e Orestes dos Santos

Durante alguns anos, a economia de Maricá viveu em função da linha férrea até o seu fechamento em 1964. É inegável o papel da estrada de ferro no progresso do município e o trabalho árduo de muitas pessoas marcam as vidas das famílias que viveram e vivem até hoje da renda adquirida pelo trabalho realizado na estação de trem.  É o caso da família de Maria José Pereira Quintanilha e Orestes Antônio dos Santos.  

Dona Maria, casou-se com seu José na década de 1950 e juntos tiverem 10 filhos. Hoje, viúva, aos 99 anos tem 18 netos e 11 bisnetos.

Impossibilitada de receber visitas por conta da pandemia, a história de vida dessa família que passa pela estrada de ferro Maricá nos foi contada por um dos filhos do casal, Gelson dos Santos, comerciante

De acordo com ele, o pai ingressou na Rede Ferroviária Federal com 21 anos de idade, na função de percorrer os trilhos substituindo os dormentes apodrecidos – aquelas peças de madeiras que sustentam os trilhos. Para esse serviço eles usavam um TROLE, veículo que transportava os dormentes e os operários. O veículo era impulsionado pelos operários que utilizavam madeiras como se fossem remos, para fazer que ele se movimentasse sobre os trilhos. “Num dia de trabalho a madeira que meu pai utilizava quebrou e como ele estava na parte dianteira do trole perdeu o controle caindo nos trilhos e sendo atropelado. Nesse acidente ele teve a perna esquerda amputada. Naquela época a lei trabalhista para esse tipo de acidente de trabalho não dava o direito a aposentadoria por invalidez, por isso a RFF mudou sua função para ‘agente de estação’ e ele passou a trabalhar vendendo bilhetes de passagens aos usuários”, relatou.

Ainda de acordo com Gelson, sua mãe veio de Bom Jesus do Itabapoana bem jovem, com seus pais e uma tia para trabalharem na lavoura de cana-de-açúcar da antiga Fazenda do Bom Jardim, onde na época existia uma usina de cana que foi destruída por uma explosão. “Ela trabalhava o dia inteiro na colheita de cana e a noite costurava e fazia roupas para os vizinhos para aumentar a renda e foi aí que conheceu meu pai. Quando se conheceram, meu pai já tinha sofrido o acidente ferroviário e se recuperava”, relembra Gelson. “ Depois que se casaram ela continuou costurando e fazendo tapetes de retalhos que ele levava para expor na estação para venda, também para aumentar a renda do casal”, diz.

Em 1984 seu Orestes faleceu, mas deixou para a família o exemplo de homem trabalhador e forte que sempre buscou o melhor, junto com sua esposa, para a criação de seus filhos. E é com orgulho e saudosismo que os herdeiros do casal contam a história de suor e luta de quem ajudou a escrever a história de desenvolvimento do nosso município.

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