A trajetória de sucesso do jovem Bruno Berner

Da invisibilidade ao sucesso

Quem vê o sucesso do grupo Deck, composto pelos empreendimentos Deck 06, Deck Burguer e Deck Brasa nem imagina a dura trajetória de seu comandante até conquistar o patamar de hoje.

De origem humilde, Bruno Berner, filho de Adriana Berner, começou a trabalhar ainda menino, com 7 anos de idade, vendendo picolé nas ruas de Niterói. Foi com muita dificuldade que sua mãe criou os dois filhos; por conta da vida sofrida, e de muita ralação, não teve tempo para poder dar a eles muito carinho, mas deixou o ensinamento da importância do trabalho e da garra para conquistar seus objetivos.

Para Bruno, que era considerado o sonhador da casa a única herança de família era aprender a trabalhar. “Minha mãe dizia que não podíamos nos dar ao luxo de ter tempo livre. Quando se é pobre, quase na linha da miséria, a única saída para sobreviver é o trabalho, não tem essa de ficar de bobeira no sofá ou jogar bola.” Por conta dessa condição social, ele abandonou os estudos após a 3ª série do ensino fundamental, “Eu não tinha tempo para me divertir e ser criança. Meu momento fora do trabalho era na escola. Matei aula algumas vezes e quando minha mãe descobriu decidiu me tirar do colégio e deixar só trabalhando. Meu desempenho maior era trabalhando, queria ter dinheiro para comprar minhas coisas e me esforçava para isso”, relembra.

Nascido em São Gonçalo, foi no bairro pobre do Jardim Bom Retiro, por meio de um projeto social, que teve contato com a música. Alí foi plantada a semente de um sonho que o moveu até onde está hoje. “Um coroa tinha uma academia, chamava J Gonçalves, que oferecia aulas de instrumentos musicais, dublagem e teatro. Fiz parte daquilo, foi minha primeira experiência com palco. Aquele lugar me trazia esperança, acredito que muitos dos meus sonhos surgiram dali”, diz emocionado. Bruno continuou estudando instrumentos sozinho, com revistinha de cifra e à base da tentativa enquanto trabalhava de camelô. “Tinha gente que as vezes passava zombando, perguntando quanto eu queria para parar de tocar, mas era a forma que eu tinha de fazer o que gostava”, conta Bruno.

Foi em 1998 que, aos 14 anos, Bruno que conheceu Maricá por influência de um tio que tinha casa no município e passou a trabalhar na cidade. Segundo ele, era necessário pegar 3 ônibus de onde morava até o centro da cidade, saía de casa apenas com o dinheiro da vinda e precisava vender para pagar almoço e comprar as passagens de volta. O 1º lugar onde colocou uma banquinha para vender bijuterias foi entre a Caixa Econômica e a pastelaria, no centro da cidade. Mesmo com o dono do estabelecimento dizendo que não poderia ficar ali, Bruno explicou que não tinha nem como voltar para casa, acabou conseguindo ficar e fazer suas vendas. Chegou a faturar mais que sua mãe que havia continuado trabalhando até então em São Gonçalo. Foi em 2000 que a família decide morar na cidade e se muda para a Mumbuca.

Ele lembra do tratamento que recebia enquanto trabalhador, “Antes do Quaquá ser prefeito, camelô era tratado como lixo, cansei de perder mercadoria. Éramos tratados como escória da sociedade, ainda mais numa cidade provinciana que era Maricá onde o status importava mais. Ao assumir, ele trouxe dignidade para a classe, criando o espaço onde era uma padaria”.

A música fez com que Bruno transformasse sua realidade, certa vez, enquanto estava em sua banquinha, foi chamado para tocar violão em um grupo de pagode. Um dia, o vocalista do grupo faltou e pediram para que ele cantasse, a partir dali teve início sua carreira de cantor, na época com 17 anos no Sambarte. Após um ano no grupo de pagode, sua mãe o incentivou a fazer carreira solo, a partir daí começou a fazer voz e violão. “O sertanejo veio por influência da minha infância quando ia com minha mãe vender em festas agropecuárias pelo interior do estado. Isso desde 1 ano de idade, dormia embaixo da barraquinha e tive oportunidade de ver de perto duplas que eram sensação na época, como Leandro e Leonardo e Zezé de Camargo e Luciano”.

“Fui oferecer minha música em barzinho e quem me abriu as portas foi o saudoso Sidney Santos – cantor maricaense conhecido que faleceu em 2020. Ele me passava os shows que não conseguia fazer e assim fui conciliando a música e o trabalho de camelô, juntando as duas rendas. No 1º mês que o dinheiro da música pagou meu aluguel, dei minhas mercadorias para meus familiares trabalharem e fui viver da minha paixão”, conta orgulhoso.

Os projetos da Prefeitura de Maricá, como o “Sob o céu, Sob sol” e o mais recente, “Pratas da Casa”, onde os artistas locais em contratados para se apresentarem nos bairros da cidade ajudaram a impulsionar sua carreira. “O projeto era uma vitrine. Quando cantava nesses espaços tinha um peso, me sentia representando Maricá. Depois dos shows, distribuía meu cartãozinho e assim consegui trabalhos, cantando em casamentos, aniversários, barzinhos. Eu que já era conhecido como o Bruninho camelô, passei a ser conhecido pela minha música. Se não fosse Maricá talvez não tivesse tido oportunidades de crescer como cresci. Quando contava desse projetos em outras cidades, as pessoas não acreditavam, diziam que era utopia uma prefeitura valorizar os artistas da cidade”, declara.

De músico à empresário

Bruno decidiu que não ia esperar a fama chegar e com esse pensamento, juntou dinheiro e fez seu primeiro investimento, o pagode Mix Lounge, em frente à antiga Ampla, que se tornou point dos maricaenses. Por não ter condições de alugar todo o espaço, alugou por diária às quintas-feiras e domingos. A falta de experiência no ramo, fez com que o empreendimento durasse pouco apesar do sucesso, mas foi suficiente para que ele arrecadasse um bom dinheiro. Antes de pensar na proposta do Deck 06, Bruno ainda chegou a arrendar a boate, a qual também nomeou de Mix Lounge, porém percebeu que não era com o que queria trabalhar.

A ideia para o Deck 06, hoje barzinho queridinho da cidade, foi desenvolvida em cima de suas experiências em bares de outras cidades.

Inaugurado em junho de 2018, o bar tem o número 06 por ser o número da sorte de seu idealizador, tornando-se em pouco tempo referência de entretenimento para a cidade, reunindo grande público e elevando a qualidade dos bares da cidade.

“Carrego gelo, saco de mercado, depois tomo um banho lá mesmo e volto para cantar”, conta com orgulho. “Hoje emprego quase 40 funcionários, sem contar os indiretos, fornecedores e músicos de quarta a domingo. Priorizo funcionários que não tenham experiência, além de achar melhor formá-los, considero importante dar oportunidade à juventude”, explica Bruno.

Quando o Deck 06 passou a ser sua principal renda, a música tornou-se secundária. “Não posso viver de sonho, e hoje tenho famílias que dependem do sucesso dessa empresa.”  Em janeiro de 2020, Bruno deu o que chamou de “última cartada para a sua carreira musical”, “Fiz um investimento alto, parti para Curitiba, comprei a música “Amor dado não se olha a cama”, do mesmo compositor da música “Liberdade Provisória”, ficou tudo pronto para ser lançado em março, mas aí começou a pandemia e os planos foram por água a baixo. Não pude fazer nenhum show com a música, mandei fazer brindes promocionais, um monte de coisa e não pude usar.”

Durante a pandemia, Bruno precisou pensar em uma solução para manter-se no patamar que alcançou, já que o isolamento social e as medidas restritivas duraram mais do que o esperado, se estendendo até hoje. Surgiu então a ideia do Deck Burguer, serviço de hamburguer delivery, com uma proposta diferenciada, receitas inéditas e ingredientes de primeira. Mais recentemente, Bruno conseguiu ampliar ainda mais seu nicho, inaugurando o Deck Brasa, restaurante especializado em carnes nobres e drinks.

O bar Deck 06 e o restaurante Deck Brasa, localizam-se na rua Álvares de Castro, 460 no centro de Maricá, próximo à prefeitura.

A hamburgueria Deck Burguer, funciona de forma delivery através do whatsapp 21 99430-7065.

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